100 ANOS DO FREI LUIGI FACCENDA

Este ano marca o 100º aniversário do nascimento do Frei Luigi Faccenda, OFMConv– fundador do Instituto Missionárias da Imaculada-Padre Kolbe – e os 15 anos da sua morte, ocorrida a 9 de outubro de 2005. É nosso desejo compartilhar seu testemunho de vida e de fé e da obra de Deus nele: franciscano conventual, sacerdote, apóstolo de Maria. Em particular, queremos descobrir sua profunda ligação com São Maximiliano Kolbe, de quem foi um fiel e criativo seguidor.

O encontro com Kolbe 


Frei Luigi foi um apóstolo e um missionário incansável que sentiu a urgência do anúncio, a alegria de pertencer a Cristo e de conquistar outros para o seu amor, e isto com todos os meios possíveis: a palavra, a pregação, a catequese, a imprensa, mas sobretudo a atenção à pessoa concreta, à sua história, à sua vida, que desejava conduzir a Deus por meio de Maria, a Imaculada.
Nasceu a San Benedetto Val di Sambro, Bologna, Itália, em 24 de agosto de 1920. Aos 12 anos entrou no Seminário dos Frades Menores Conventuais em Faenza, onde, entre altos e baixos devido a más condições de saúde, completou sua formação fransciscana e estudos teológicos. Emetiu a profissão dos votos simples e solene e foi ordenado sacerdote no dia 18 de maio de 1944

Em 1945, em Bolonha, foi-lhe confiada a Milícia da Imaculada, o movimento fundado por São Maximiliano Kolbe, e este “encontro” com o mártir de Auschwitz, ainda pouco conhecido na Itália, mudou a sua vida, como ele mesmo muitas vezes narrou, enquanto encontrou na espiritualidade de Kolbe e em sua existência vivida por amor e no amor um segredo de vida e de santidade, um forte dinamismo missionário e evangelizador.

«“Apaixonei-me” por Padre Kolbe – escreveu Frei Luigi – pelo motivo de seu martírio, de sua total dedicação ao homem e à vida, de seu grande amor à Imaculada. Gostaria de saber onde este sacerdote teria encontrado a força para consumir plenamente o seu sacerdócio e a resposta veio quando eu soube que ele tinha meditado desde a sua juventude, o seu ideal: levar cada homem a Deus, à salvação, através da Imaculada. Esta paixão pelo homem também se tornou a minha paixão». 

Em 1954, seguindo a insistência de algumas jovens, que expressavam o desejo de se entregar totalmente a Deus em um estilo de vida mariano ao serviço da evangelização, segundo o espírito do Padre Kolbe, nasceu o Instituto das Missionárias da Imaculada-Padre Kolbe, que em 1992 recebeu o reconhecimento definitivo da Igreja como Instituto secular de direito pontifício.
Em 1988 nasceram os Voluntários da Imaculata-Padre Kolbe, leigos ou clérigos agregados ao Instituto, cuja espiritualidade e missão compartilham. No dia 11 de fevereiro de 1997, no Brasil, junto com o confrade Frei Sebastião Quaglio, Frei Luigi Faccenda iniciou o  Instituto dos Missionários da Imaculada-Padre Kolbe

  

 No Campo de Concentração de Auschwitz, na Polônia. Foto: MIPK



Uma herança rica e fecunda 


Frei Luigi, partindo da experimentada e difícil sociedade do pós-guerra, promoveu muitas iniciativas de evangelização e de difusão da espiritualidade mariana. Ele imediatamente percebeu a riqueza inerente da herança que Kolbe deixou à Igreja e ao mundo; uma herança que acolhe elabora e atualiza, dando ao longo dos anos, a sua contribuição pessoal ao conhecimento de São Maximiliano e ao aprofundamento de algumas de suas fecundas reflexões doutrinais e pastorais.
«Aos poucos comecei a perceber que a herança deixada por padre Kolbe com sua vida e morte heroica, tinha que ser recolhida, interpretada, desenvolvida, de acordo com as novas necessidades. A partir daquele momento, meu compromisso constante a serviço do Instituto e do Movimento das Milícia foi aprofundar meu conhecimento sobre a doutrina e espiritualidade de kolbiana. Doutrina e espiritualidade que me pareceram capazes de oferecer bases sólidas para lutar pela perfeição da caridade e colaborar na missão da Igreja, em nome de Maria».

 Ele foi guiado pela confiança ilimitada na verdade e na dignidade do homem e no amor a Maria, a Imaculada, a criatura na qual a beleza do Criador resplandece ao máximo, o verdadeiro rosto do homem amado por Deus e por ele chamado a uma felicidade sem limites.
Com o passar dos anos, essa paixão missionária não conhecerá limites, barreiras, obstáculos. Sempre atento aos sinais dos tempos, ao caminho da Igreja e às mudanças culturais e sociais, Frei Luigi contou com todos os meios para falar a única e universal linguagem do amor, convicto defensor do uso positivo dos meios de comunicação ao serviço do evangelho. E como num catavento de mil cores, a sua vida refletiu o amor em todas as suas dimensões e nuances: pregador e homem de oração, apóstolo incansável da palavra e da caneta, pai, irmão e guia pelos caminhos do Espírito.
Caminhando pelas estradas do mundo, ele deu vida a um sonho que sempre carregou no coração: o da vida missionária, o desejo de cruzar as fronteiras da própria terra, de compartilhar a própria experiência de fé com outros povos e culturas. Um sonho que não consegue realizar em primeira pessoa e na linha de frente, porque as suas condições de saúde não o permitem, mas que se concretiza quando as missionárias confiadas ao seu guia atravessam – como ele gostava de repetir – «os oceanos e os continentes, conduzindo, também ao meu nome, a luz da verdade e do amor»
Em 1969 acolheu o convite do Papa Paulo VI, que pedia evangelizadores para a América Latina, e enviou as primeiras missionárias à Argentina. Nos anos seguintes se abriram outras áreas de missão e presença: Estados Unidos, Bolívia, Luxemburgo, Polônia e Brasil.


Com Frei Sebastião Quaglio, da Milícia da Imaculada. Foto: MIPK

Uma entrega


No dia 9 de outubro de 2005, Frei Luigi encerrou a sua carreira terrena, deixando à Igreja e ao mundo o testemunho de uma vida vivida com generosidade e dedicação até ao fim. E, uma vez que «o Espírito não conhece as leis materiais do envelhecimento, mas evolui sem parar» (São Maximiliano), acreditamos que as suas palavras, os seus escritos, os seus ensinamentos continuam a traçar caminhos.
De modo particular, acreditamos que a nós, a vocês mílites e a todos que como ele acolheram e viveram a rica espiritualidade de São Maximiliano, ele deixou uma mensagem: «Conhecer, amar, imitar Padre Kolbe com a plena confiança de que nele encontraremos um poderoso auxílio para viver a plenitude da nossa vocação à santidade e ao compromisso missionário».
Uma entrega que nos vê todos como protagonistas do nosso tempo e todos em saída para ser presença de Maria que vive, fala, trabalha, hoje!


Lourdes Crespan - MIPK
@kolbemission

 
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