


Por Frei Alexandre Patucci, OFMConv.
Conversão do coração e mudança de direção na caminhada rumo à Páscoa.
Com a Quarta-feira de Cinzas iniciamos o tempo da Quaresma como preparação para a celebração da Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo, centro de nossa fé, celebração do Mistério da Salvação que se revela no amor com o qual Cristo se entrega até o fim e ressuscita: o amor mais forte do que a morte.
Esse tempo, como preparação que antecede a Semana Santa, é chamado de tempo de penitência. Mas o que significa penitência? Esta palavra vem do latim paenitentia, que traduz o grego metanoeite e pode ser compreendida como “conversão”. O termo grego significa “mudança” ou “ir além” do nous (o próprio pensamento). Trata-se de buscar ir além do próprio modo de pensar, mudando, portanto, a mentalidade e o comportamento.
Um exemplo simples é o uso da palavra “conversão” nos sinais de trânsito, quando estudamos para tirar a carteira de motorista: a placa que indica mudança para a direita é chamada de conversão à direita. Se, ao conduzir um veículo, mudo de direção fazendo uma conversão, faço isso porque desejo chegar a algum lugar. Assim também a conversão é mudança de mentalidade e de direção da vida, porque se quer chegar a Deus. Pode-se dizer, então, que a penitência é a própria busca de Deus: ir além da própria mentalidade, mudar o modo de pensar e de viver como forma de aproximar-se d’Ele.
Deus se revelou, sobretudo em Jesus, como Amor. A penitência é a busca desse Amor que é o próprio Deus. Francisco de Assis compreendeu a penitência como busca de Deus, busca desse Amor, e por isso chorava dizendo: “O Amor não é amado”. Ele procurou amar o Amor em todas as coisas.
O jejum, a oração e a caridade são exercícios que nos ajudam nessa busca de Deus que é Amor, fortalecendo-nos no combate contra o pecado, que é tudo aquilo que nos desvia de Deus e do Amor. O jejum nos ensina a lidar com nossos sentimentos e desejos para encontrarmos o Deus-Amor que habita em nós. A esmola ou caridade nos auxilia a encontrar Deus no outro, sobretudo naquele que sofre. A oração nos ajuda a abrir o coração para encontrar e contemplar Deus em sua transcendência.
Que esta Quaresma seja tempo oportuno de penitência, isto é, de conversão e busca de Deus que é Amor, não somente para bem celebrarmos a Páscoa, mas para que este Amor transforme sempre mais a nossa vida, celebrada em cada Eucaristia, memorial da Páscoa do Senhor e do seu Amor.