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Exposição dos Restos Mortais de São Francisco de Assis

Por Frei Flávio Venâncio, OFMConv. 


Há oitocentos anos, Francisco fazia sua Páscoa cantando com os frades e louvando a nossa Irmã Morte. Para celebrar essa passagem, desde o dia 22 de fevereiro, está ocorrendo na cidade de Assis a exposição dos seus restos mortais, que vai até o dia 22 de março de 2026. O acesso é gratuito e mediante reserva, necessária para garantir a ordem e a meditação. Está prevista uma peregrinação privada e silenciosa, bem como uma visita guiada conduzida por um frade, com breve catequese e renovação das promessas batismais.


Segundo a organização, a  procura superou as expectativas: quase 400.000 reservas já foram registradas, com uma previsão de até 700.000 visitantes ao longo do mês. Peregrinos, em sua maioria da Itália, Estados Unidos, Croácia, Eslováquia, Brasil, França, Reino Unido, Indonésia, Japão, Quênia, Jamaica e Singapura. Mais de 400 voluntários — de mais de 60 organizações eclesiásticas e civis, na maioria mulheres — apoiam os frades; 90 religiosos estão permanentemente engajados no serviço [temos 4 frades do Brasil nesse serviço], com reforços chegando especificamente para este período.


A exposição ocorre durante o período da Quaresma. A Quaresma evoca limitações, fragilidade e poeira. O corpo de Francisco, pequeno e marcado pela doença e pelo cansaço, fala com uma força numa cultura que mede tudo pela aparência. Não impressiona pela sua grandeza, mas pela sua humildade. Não pela sua perfeição física, mas pela sua radicalidade evangélica. Para muitos, estar diante desses ossos significou um reencontro com o sentido das suas próprias vidas e da sua fé.


Temos um relato do nosso irmão, Frei Gilson, que hoje trabalha como assistente internacional da Milícia da Imaculada. Ele acompanhou um grupo de peregrinos e nos deixa seu testemunho: 


Basílica de São Francisco de Assis Itália


Meus amados irmãos e irmãs ,


Paz e bem!


Hoje tive a graça de tocar com as mãos a urna com minhas mãos os restos mortais de São Francisco de Assis,. Emoção, lágrimas, gratidão. 

Faz 32 anos que com apenas 18 anos deixei meu lar, família, amigos e irmãos para Seguir Jesus nos passos desse grande Santo que nos ensina a viver a minoridade.

Filho indigno de Francisco, eu, o contemplo num silêncio cheio de "temor e tremor" e vejo passar diante de meus olhos minha vida, esses anos todos, tantos rostos de ontem e de hoje, não consigo rezar... Os sentimentos e pensamentos parecem um vulcão em irrupção.

Eu choro, o coração dói de amor e gratidão, de arrependimento também por ainda não amar como deveria o amor crucificado, "o amor não é amado"...

Sim eu choro, e minhas lágrimas são prece por todos que choram pela fome, violência, guerra, injustiça, solidão angústia e dor.

Eu choro e sei que os que choram porque querem amar o "Amor crucificado" e Nele todos os crucificados do nosso tempo, os descartados e excluídos, serão consolados.

Pai Francisco vem nos ensinar, a fazer da vida uma canção de esperança e de paz. Amar todos irmãos, fazer da Igreja e do mundo uma casa para "tutti" (todos) ...

 
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