MENSAGEM DE NATAL AO POVO DE DEUS

“O justo vive da fé” (Hab 2,4).

Caros irmãos e irmãs,

Finda-se o ano e, mais uma vez, celebramos o Natal. Por esta ocasião, gostaria de estender-lhes, uma mensagem a partir do anúncio do nascimento de Jesus feito a José (Mt 1,18-24), lido na Liturgia do Quarto Domingo do Avento, nesse ano.  De forma muito sóbria, o texto afirma que, ao saber da gravidez extemporânea de Maria, José cuida de desfazer, secretamente, o noivado com ela. Mas, em sonho, um anjo do Senhor lhe recomenda não temer receber Maria por esposa, porque o que nela está ocorrendo vem do Espírito Santo. E José, descrito como “justo”, obedece prontamente ao que lhe fora dito.
“Justo”, na Bíblia, é a pessoa de fé, que age pela fé, como afirma o profeta Habacuc: “o justo vive da fé” (Hab 2,4). Com efeito, José surge, aqui, como modelo da pessoa que vive da fé. Como Abraão, pai na fé, José está disposto a seguir em frente, confiado inteiramente no projeto de Deus. Ele acredita nas promessas de Deus e acata seus propósitos, mesmo que sejam estranhos, improváveis e incômodos. De fato, sua vida é virada de ponta cabeça pelo nascimento daquele menino cujo nome significa: “Deus salva”. Ser salvo não significa, portanto, trilhar caminhos retilíneos, mas exige a disponibilidade de se deixar transformar nos pensamentos, nos projetos, nas opções... A isso não se chega sem custo.
O texto revela que José não hesita em mudar seus planos pessoais para adequá-los aos desígnios de Deus. Nisso, ele apresenta a característica fundamental do fiel: saber permanecer à escuta de Deus nos acontecimentos. De fato, envolvido nas circunstâncias misteriosas do nascimento de Jesus, José não esboça nenhuma reação defensiva. A anunciação rompe a ordem natural das coisas, desafiando-lhe a capacidade de compreensão e aceitação. No entanto, não se vê em José sinal de ceticismo, de comportamento passivo ou de reação para ajustar as coisas aos seus interesses; o que aparece é somente sua fé vívida, expressa em termos concretos de quem renuncia aos próprios planos para acolher os de Deus. Nada é mais importante para José do que estar sintonizado com os desígnios de Deus. Com isso, ele não sai perdendo nada. Ao contrário! O viver da fé alarga-lhe os horizontes e lhe permite descobrir, com nova luz, o significado das coisas. De fato, ele não “perde” Maria, mas a recebe de modo mais sublime: ela e o menino que traz no ventre, se tornam para ele um dom e uma missão que hão de salvar o mundo.
Também nós somos chamados a ler em profundidade, à luz da fé, os acontecimentos. Não é fácil tal leitura no complexo cenário mundial e nacional onde os sinais de morte parecem sobrepujar as iniciativas em defesa da vida. Como não se estarrecer diante do horror dos conflitos armados, em vários pontos do planeta? Como não ficar chocado com a violência aterrorizante que atinge principalmente os grandes centros urbanos, ceifando tantas vidas inocentes de crianças e adultos?  O que dizer do crescente depauperamento de grande parte da população e o que esperar quando as decisões político-econômicas, em geral, vão à contramão das necessidades dos empobrecidos? O que pensar do descaso com a preservação ambiental sacrificada à ambição de lucro a qualquer preço? 
Certamente, não faltam desafios também na vida pessoal, na família, no trabalho, na comunidade a que pertencemos. Mas, não é o caso de aventá-los, nesse momento. Cumpre, antes, rememorar que a vida cristã se nutre da fé em Cristo e que, como batizados, somos chamados a dar um testemunho vibrante e transparente da vida cristã, de modo que nossa vida seja um lugar onde a ação de Deus, em benefício de todos, se torne visível e historicamente tangível. Portanto, irmãos e irmãs, em quaisquer que sejam as circunstâncias, não duvidemos da presença de Deus em nossa vida: em cada uma de suas vicissitudes, seu plano aparece, em qualquer situação sua “voz” nos interpela. E o momento de responder a essa interpelação é agora! 
Feliz Natal da Fé!


Frei Aloisio de Oliveira
Ministro Provincial
Santo André, 24 de dezembro de 2019


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