Diálogo e diferenças culturais marcam o segundo dia do Simpósio Franciscano

O diálogo e as diferenças culturais permearam o conteúdo apresentado no segundo dia do Simpósio Franciscano que celebra o jubileu de 800 anos do encontro entre São Francisco de Assis e o sultão Al Malik Kamil, em Damieta, no Egito. O pensamento e a filosofia árabe foram objetos de estudo e debate ao longo do dia em que os participantes refletiram sobre as diferenças que permearam a ocasião em que cristianismo encontrou o islamismo.

 

Logo no início desta terça-feira (09) no auditório do Instituto São Boaventura (ISB), em Brasília, foi realizado um painel composto pelo Frei Luís Felipe Marques (OFMConv.), pela Dr.ª Mônica Udler e o Dr. Marcos Aurélio Fernandes. Na ocasião, a Dr.ª Mônica elaborou um panorama sobre “O Islamismo e a busca pelo conhecimento: O contributo da filosofia árabe para o pensamento e a mística”.

 

Tratando do pensamento islâmico, ela destacou as principais características culturais islâmicas e o seu legado para a história, o que manteve o público instigado com os novos conhecimentos, atentos do início ao fim da conferência. Em seguida, o Dr. Marcos falou apresentou uma palestra com a temática “Entre o Tal e o Zulfiqar: Encontros e desencontros entre o pensamento franciscano e a filosofia árabe”.

No período da tarde, os frades e as pessoas interessadas na temática do simpósio, puderam participar de outro painel com a temática “O diálogo e suas problemáticas atuais: dificuldades para uma cultura do diálogo”. Desta vez, a mesa foi composta pelo Dr. Luís Síveres e a Doutoranda Paula Furtado Goulart, sendo coordenada pelo Frei Bruno Carvalho (OFMConv.).

 

Para falar sobre a influência e a compreensão do encontro ao longo da história, Paula utilizou-se da hermenêutica gadameriana. “Nesta perspectiva, trabalhamos em uma atualização de sentidos. A hermenêutica abre o diálogo para que possamos analisar o que este fato, que aconteceu há 800 anos, significa nos dias de hoje”, explicou ela.

 

Desta maneira, a doutoranda abordou de que forma a filosofia segundo o olhar do alemão Hans-Georg Gadamer (1900-2002) pode nos auxiliar na compreensão desta comunicação entre religiões. “Essa abertura de colocar em xeque os nossos pressupostos, permite que possamos estabelecer um consenso analítico e, assim, manter e formentar um diálogo inter-religioso”, afirmou Paula.

Finalizando o segundo dia do Simpósio Franciscano, o Dr. Luís explicou as dificuldades em se implementar o diálogo de acordo com as características sociais (em seus mais diversos âmbitos) do mundo moderno. O doutor atribuiu alguns exemplos para explicar sua análise, como a polarização política vivida atualmente em nosso país.

 

(O diálogo) não igual e similar. Ele é complementar em diferenças. A agulha é diferente da linha, no entanto, as características de cada uma delas se complementam para realizar um feito maior”, argumentou ele. Ainda segundo o Dr. Luís, essa complementaridade pode ser tanto no conceito de reciprocidade, de um com o outro, mas também na linha de responsabilidade, em que um sujeito assume o compromisso com outrem.

 



 

O Simpósio

O evento acontece até esta quarta-feira (10) e é uma realização entre o Instituto São Boaventura e a Conferência da Família Franciscana do Brasil (CFFB). Ao celebrar o Oitavo Centenário do encontro, num ambiente de aprofundamento, reflexão e discussão da diversidade, as entidades têm como objetivo promover no espaço acadêmico uma discussão ampla e participativa dentro da cultura de choque e rompimento dos dias de hoje. Numa perspectiva teológico-espiritual, será evidenciada a importância da minoridade para o encontro da diversidade. 

 

Confira a programação do terceiro e último dia do Simpósio:

 

Quarta-Feira (10/07/2019)

9h – O encontro entre Francisco e o Sultão hoje: o diálogo entre cristãos e muçulmanos hoje

Prof. Ms. Fr. Rafael Normando, OFMConv. (Província São Maximiliano M. Kolbe e Instituto São Boaventura)

Dr. Cláudio Fonteles, OFS;

10h30 – Intervalo

11h15 – Momento celeb rativo – O Encontro da diversidade: diálogo orante e inter-religioso.


 
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