201º Capítulo Geral Extraordinário: saiba tudo o que foi decido durante as cinco semanas de trabalho.

Escrito por  OFMConv-Notícias


Após a conclusão do 201º Capítulo Geral Extraordinário, em que foram revisadas as Constituições da Ordem, chegou a hora de apresentar um resumo sobre o trabalho realizado durante este período e demonstrar os números da assembleia capitular.

De 24 de julho a 26 de agosto, 112 frades estiveram reunidos no Centro \"Ad Gentes\" em Nemi, na Itália. Destes, 83 eram representantes vocais (com direito a voto) das 49 jurisdições da Ordem, os outros eram auditores ou contratados para os trabalhos na secretaria: escritório de comunicações, tradutores, intérpretes e animadores litúrgicos.

Três comissões trabalharam pelo bom funcionamento do Capítulo: a Comissão Central, a Comissão Jurídica e o Conselho da Presidência. A elaboração do Instrumentum laboris foi de responsabilidade do Comitê Executivo para a Revisão das Constituições (CERC) e da Comissão Internacional para a Revisão das Constituições (CIRC).


 

Foram votadas 791 vezes para o assentimento aos 231 artigos do texto final das Constituições renovadas. Deve-se levar em conta que foram analisados e votados parágrafo por parágrafo das atuais Constituições, mesmo para os trechos cancelados. Para validar os resultados era necessário que uma maioria de, pelo menos, dois terços dos votantes decidisse por determinada orientação.

Oficialmente, o Capítulo foi aberto pelo Ministro geral, Frei Marco Tasca, em 24 de julho, com a oração das Vésperas e o canto do \"Veni Creator\". No dia seguinte, foram cumpridos os deveres do rito, em particular o Secretário Geral do Capítulo, Frei Timothy Kulbicki; e foi eleito ainda o escrivão do Secretário, Frei Emanuele Rimoli. Assim, foram iniciadas os procedimentos dos membros do CERC, que resumiram como as ideias primordiais foram alcançadas e apresentaram os principais temas dos seis capítulos. A assembleia pôde intervir livremente com perguntas e sugestões, destacando a posição de todos.

Na segunda-feira, 30 de julho, foi um dia dedicado ao retiro espiritual. O nosso confrade, Dom Roberto Carboni, propôs uma reflexão sobre o tema do discernimento, indicando o diálogo fraterno como o principal meio de tomar decisões no Espírito Santo.

Após um dia ainda dedicado à discussão, a votação começou na quarta-feira, 1º de agosto. Cada capitular poderia apresentar seu próprio iuxta modum, uma modificação do texto ou pedir para retomar a discussão sobre um tópico já tratado. Foram muitos as tarefas realizadas pelas comissões mencionadas acima, para que tudo pudesse proceder corretamente. Os tradutores, ao final do dia, tiveram de interpretar os textos do italiano para o inglês, o polonês e o espanhol.


 

No primeiro capítulo das novas Constituições relativas à vida evangélica dos frades, foi dada especial atenção à inserção dos conventuais entre as ordens clericais, por parte da Igreja. A proposta de deixar este nome nesta parte inicial já passou porque é o que diz respeito aos fundamentos jurídicos da nossa realidade. É importante ressaltar a aprovação de um novo parágrafo onde o \"fio de ouro\" que liga a nossa história ao dogma da Imaculada, de S. Francesco a S. Massimiliano M. Kolbe, foi explicitado.

Na tarde do sábado, 4 de agosto, foi votado o Capítulo II: a vida de união com Deus. Evidentemente, não surgiram divergências substanciais nos textos aprovados, já que os temas relativos ao nosso alicerce espiritual são compartilhados por todos. Tivemos de nos atentar à demanda a cada Capítulo Conventual, de modo a agendar oportunidades de escuta, oração, reflexão e partilha da Palavra de Deus.

Em 7 de agosto, o focou mudou para a discussão e aprovação do Capítulo III, sobre a vida fraterna em comunhão. Devemos sempre prezar pela fraternidade, não podemos deixá-la em segundo plano. E, por este motivo, durante boa parte do Capítulo Conventual, as novas Constituições reafirmam a sua necessidade e planejamento sistemático.

Houve um extenso debate na sala sobre as dificuldade de estarmos juntos mesmo em era de comunicação digital. Não podemos prescrever regras precisas sobre o uso da tecnologia, mas reiteramos que o bem comum deve sempre estar em primeiro lugar. O tema igualmente relevante é o compartilhamento de bens, ainda mais neste momento histórico de globalização, nossas jurisdições devem ser transparentes na administração e abertas às necessidades de todas as realidades da Ordem.


 

A partir do dia 09 de agosto, os capitulares se dedicaram a votar Capítulo IV: a missão dos frades. A identidade franciscana nos abre para uma evangelização sempre atenta aos tempos em que se encontram. A discussão não poderia evitar o cuidado pastoral das paróquias, confiadas não a indivíduos, mas a fraternidades. As novas Constituições reafirmam que as comunidades locais devem equilibrar o compromisso pastoral com as exigências do testemunho fraterno.

Um amplo espaço foi dado à \"missio ad gentes\". O novo texto busca dar uma definição dessa realidade a partir do magistério papal, em particular de São João Paulo II. A vontade do Papa Francisco também foi relembrada, no sentido do compromisso comunitário de proteger o \"lar comum\" que é a criação.

Na Segunda-feira, 13 de agosto, aconteceu a discussão do Capítulo V: a formação dos frades. Foi enfatizada a relevância da gradualidade a ser dada à jornada do formando e, também por esta razão, foi decidido que, para os professos simples, era obrigatório apenas a oração das Laudes e das Vésperas.

Foi importante o parecer favorável ao projeto \"UniFra\" (Universidade Franciscana), para um único centro universitário interfranciscano em Roma. Da mesma forma, tendo definida a nossa identidade de maneira simples: \"Conventualidade\" é expressa como uma fraternidade ativa e co-responsável, orientada para a contemplação e a missão.


 

O Capítulo VI, que trata do serviço de autoridade na Ordem, foi votado em 17 de agosto. Foi destacada a mudança na duração dos cargos de Ministros e Custódios. O novo texto prevê uma única reconfirmação e, portanto, o Ministro geral pode exercer seu mandato no prazo máximo de 12 anos, os Ministros Provinciais e Custódios no prazo máximo de 8 anos.

Os capitulares lembraram que a moção aprovada permite ao Ministro Geral pedir para a Congregação dos Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, a oportunidade de participar do próximo Capítulo Geral Ordinária de 2019, juntamente de sete irmãos em profissão perpétua, não Concedida à Santa Ordem, com voz ativa e sob proposta das Federações.

Em 22 de agosto, após a última votação na sala do tribunal, foram ouvidos os seguintes frades: Irmão José Luis Avendaño Monsalve, Custódio da Custódia Provincial da BVM de Coromoto, na Venezuela; e o Irmão Leo Payyappilly, Ministro Provincial da Província de São Maximiliano Kolbe, na Índia. As situações em Kerala (Índia) e na Venezuela são de muitas dificuldades, então todos os confrades foram convidados a ajudar.


 

O dia seguinte foi dedicado à edição final do texto das Constituições aprovadas. Na Sexta-feira, dia 24, foi feita uma peregrinação ao túmulo do Seráfico Pai São Francisco, em Assis, com a concelebração em que foram professados os votos simples de alguns noviços.

Em 25 de agosto, o ato final do Capítulo foi celebrado com a aprovação de todo o texto das novas Constituições. Na sala houve a avaliação dos capitulares para o andamento do trabalho realizado. Todos salientaram a calorosa recepção e a transparência do diálogo. Logo após, o Delegado Geral para as Comunicações, Frei Ryszard Wróbel, apresentou alguns dados estatísticos. Estão aguardando aprovação: 24 Bispos, 60 padres diáconos temporários, 11 diáconos permanentes, 97 religiosos professos solenes, 470 leigos professos solenes, 492 professos simples, 96 noviços. Um total de 4047 irmãos.

Finalmente, os membros do Capítulo agradeceram ao Senhor com o \"Te Deum\" cantado na missa. O Ministro geral abençoou a todos com as palavras de São Francisco: Que o Senhor te dê a paz!

 

Traduzido e adaptado de: OFMConv.net. Autor Original: Frei Aurelio  Ercoli.

 
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